terça-feira, 25 de outubro de 2011

Desperta Dor

Esqueça! Este ser nunca existiu.

Amou daquela vez como se fosse a última... Amou daquela vez como se fosse a última... Amou daquela vez como se fosse a última... Era a última vez que amava.
Acordou com o rangido da porta que abria. A luz invadiu a sala escura, golpeou seus olhos, mas não chegou ao coração. Sabia o porquê de sua soltura. Sabia também que nem pai, nem mãe, nem ninguém poderia afastar dele o derradeiro cálice de vinho tinto de sangue. Saindo da sala, pôde ver a vida. Andava pelos corredores como crianças andam pelo zoológico. Os animais em cativeiro não causavam pena, tampouco medo, talvez causassem uma espécie de interesse mórbido, posto que ele, até agora pouco, era um deles. Obviamente era proibido alimentar os bichos, então nem tentou. Se aproximava do ponto onde as celas acabavam. Em terreno aberto poderia planejar uma fuga. Infelizmente estava cansado e faminto demais para correr e o carro que o aguardava estava parado a poucos metros da saída da gaiola. Não se sabe quem, o levou não se sabe para onde e fez não se sabe o quê. Só se sabe que ele desapareceu. O resto é segredo de estado.

Matheus Borelli


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vontade


Vazio...
Dentro de mim, agora,
Ouve-se o eco da solidão
Eu gosto. Eu detesto.
O vácuo me torna pleno
A tristeza, que, por vezes, surge
Não passa de complemento

O coração, nesses momentos, tomba
Cai até meu fim
E é externado

Quando se está assim
Não é aconselhável ouvir Cazuza, Russo
Mas teimo!
Talvez seja essa minha vocação
Sofrer completamente
Pela incompletude dos meus amores

Busco, vasculho tudo ao meu redor
Não sossego até encontrar um amor impossível

Ter o que quero é desestimulante!

Matheus Borelli