domingo, 4 de novembro de 2012

Revisita


Conheço: chama-se saudade, um privilégio de nós, falantes de português. Descubro que apenas nós "sentimos falta" com tanta sinceridade, seguindo o tosco raciocínio de que se sente mais verdadeiramente o que se sabe denominar.
É isso. Há saudade, saudades, vontades em mim. Espero pela revisita, anseio pelo reentorno... Enxergo a alma almejando o amoroso afetado lar.
Quando menos esperar  eu chego, carregado pelo pássaro verde que só traz boas notícias.
E te vejo. Sim... vos vejo.

domingo, 24 de junho de 2012

Futuro do Presente Preterido


Tempo passando na janela
Menos fios de juventude
Inocência desgarrada do peito
Segundos velocistas
O riso infantil amarelado
Para o agora , despreparo
É disparo
Disparate da vida
Falando de um presente
Sempre guardado e
Nunca dado.
Há que se perder no
Passado passado
Sonhar com
Futuro frutífero
E não.
Não desembrulhar o presente
Corrente:
Gota d’água na catarata
Vivência da vida incerta
Relógio incontestável constante
Tempo rolante
Em vácuo... in fáctuo
Até poema
Palavra, tempo mina. Termina.

Matheus Borelli

terça-feira, 12 de junho de 2012

ATENTADO LOURO


Caiu na tentação loura.
Sim. A maldita tentação loura, cacheada
Aquela com olhos d’um verde irritante
Que tem sobrancelhas curtas e esbranquiçadas
De boca diminuta, lábios cor de rosa
Que nos enternecem no segundo sorriso
Logo após laçar-nos com o primeiro

Perdeu-se, pobre!
Ainda tenta se encontrar
Em meio a tanta ternura
Em meio aos arrepios
Em meio às risadas
Em meio aos cachos
Voltamos aos cachos louros
Onde esroscava os dedos.

Encaracolou-se numa rede dourada
Rede frágil, insegura
Onde não há como se mexer
Ou há!
Mas onde, com certeza,
Teme o movimento.

Caiu na tentação loura
Mas também...
Quem não cairia?

Matheus Borelli

sábado, 24 de março de 2012

Raízes


O porquê da pureza, nos teus olhos incompreendida,
Me pergunto.
Gato selvagem
De afiados dentes, declarados
Pêlo macio, palpável,
Amável.
Conheço-te e teus espinhos
De rosa aberta em flor
Não ferem minha superfície
Ela permeia
Compreensiva e alheia
A tudo quanto chega de errado
De ti, em ti, para ti
És limpa, clara como o céu em dias sorridentes
A luminosidade dos teus verdes campos
Se abre, bocas resplandecentes
Quanto ao dourado do sol
Que trazes na cabeça, não falo
Apenas observo,
Crítico parcial à distância
Não deixe que tua natureza solene
Morra no inverno
Usa o teu calor eterno
Pra que todo peito possa esquentar

Matheus Borelli

sábado, 17 de março de 2012

Namoradeira

Fechei as janelas
Por que há muito não passas aqui
Aguardei dias
Aguentei anos
Debruçada, namoradeira
No parapeito, sentindo
Meu peito parar
E tudo pra quê?
Pra uma única vez te ver passar
Como pode o mundo girar assim
Cruel vilania dele
Arrancar-te de perto de mim
Meus olhos, pobre olhos
Só puderam se cerrar
Aguardando o amor, novamente aparecer
Neste coma induzido, consentido
Me dei conta que o amor, sempre apressado
Não se deve deixar passar
Pela janela, pela porta, pela vida
Não importa
Tem que ser pego e bem seguro ao nosso lado.

Luzia Lignart

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Azul.

Minha ambição agora é outra,
Quero cantar para o silêncio.
Vê-lo dançar calmo e cheio de molejo
Ao som que não se ouve.
Planejo sussurrar o sussurro mais baixo
Beijar sem que se escutem estalidos
Pular como um gato no muro
Vencer e conter meu grito.
Hoje, penso tudo em baixo volume,
Para que o pingo de suor
Ao escorrer na testa não
Passe despercebido.
Pretendo ouvir os pelos dos braços
Sendo desarrumados pelo vento.
Eu quero ouvir o vento
Lento.
Nada de tempestades ruidosas,
O som dos raios de sol perfurando
A atmosfera é o que permito de mais ensurdecedor.
Me queixarei com as borboletas
Se o bater de asas for descuidado.
Preciso ouvir
Distinguir...
Cansei da ponta dos pés
Chega de andar, flutuemos
Preciso deitar
Surdo
Mudo
Quieto
Preciso dormir.

Matheus Borelli