sábado, 24 de março de 2012

Raízes


O porquê da pureza, nos teus olhos incompreendida,
Me pergunto.
Gato selvagem
De afiados dentes, declarados
Pêlo macio, palpável,
Amável.
Conheço-te e teus espinhos
De rosa aberta em flor
Não ferem minha superfície
Ela permeia
Compreensiva e alheia
A tudo quanto chega de errado
De ti, em ti, para ti
És limpa, clara como o céu em dias sorridentes
A luminosidade dos teus verdes campos
Se abre, bocas resplandecentes
Quanto ao dourado do sol
Que trazes na cabeça, não falo
Apenas observo,
Crítico parcial à distância
Não deixe que tua natureza solene
Morra no inverno
Usa o teu calor eterno
Pra que todo peito possa esquentar

Matheus Borelli

sábado, 17 de março de 2012

Namoradeira

Fechei as janelas
Por que há muito não passas aqui
Aguardei dias
Aguentei anos
Debruçada, namoradeira
No parapeito, sentindo
Meu peito parar
E tudo pra quê?
Pra uma única vez te ver passar
Como pode o mundo girar assim
Cruel vilania dele
Arrancar-te de perto de mim
Meus olhos, pobre olhos
Só puderam se cerrar
Aguardando o amor, novamente aparecer
Neste coma induzido, consentido
Me dei conta que o amor, sempre apressado
Não se deve deixar passar
Pela janela, pela porta, pela vida
Não importa
Tem que ser pego e bem seguro ao nosso lado.

Luzia Lignart