Eu puxo na memória
Mas não consigo
Não sou capaz de lembrar
Quando foi a última vez
Que me senti feliz por ser fruto
Nascido em Pindorama (ou no mundo)
Desde de que a vela aportou
E a minha cara pálida
Desembarcou
Os daqui não vivem
Senão para velar os seus
Das capitanias ao capitão
A coisa só desanda
As pernas, doces,
Pedem arrego
Eu, doce também,
Sento ao lado da dor
Dos aflitos como eu
Semelhantes na fuga, em fuga
Estou cansado por mim
Exausto por eles
Desesperado por nós
A arte que abriga o alento
Tem se contorcido agonizante
Os refúgios estão em chamas
Para onde vamos?
Quem olha pros lados
Tem sofrido ao acordar todo dia
A esperança, última que morre,
Está constipada, febril, mal diagnosticada
E pode, a qualquer momento
Ser enterrada sem atestado de óbito
A esperança e
As pessoas precisam de espaço
Fora das covas
Longe do IML
Sabe, eu nem te conheço, José
Mas e agora?