Lá
fora tem um sol
Um
solão de rachar mamoma
Que
me puxa a água
De
dentro, para fora
Me
faz escorrer em gotas
Se
me lambo
Digo,
se lambo a água que escorre de mim
Sinto
sal na boca
Lembro
nessas horas...
A
água de dentro é mar
E
a lua remexe a maré
Subcutânea
O
sol que digo tá longe
Mas
me queima todo
Eu
ando ardido de sol
Pele
descamando
Em
carne viva
Eu
ando ardido
Vou
sempre pela sombra
Me
esgueirando por debaixo
Das
copas das árvores
Em
vão
O
sol me encontra
E
me sapeca
A
mão na bunda
Ele,
de longe, ri da minha cara
Eu
não vejo
Não
consigo
Mas
eu percebo
Quando
chega a noite
E
os alvéolos oxigenam minha vergonha
Eu
penso, inocente
Que
a tranquilidade está aqui
(inspira,
expira)
Vou
fechando os olhos
Na
montante
E
na jusante
Da
falsa calmaria
No
outro dia, acordo molhado
Se
pela manhã
O
sol me come a pêlo
À
noitinha
A
lua me ilude com carinhos
Neste
caso, não há o que fazer
Aguardo
o outono.