segunda-feira, 11 de março de 2019

VERÃO


Lá fora tem um sol
Um solão de rachar mamoma
Que me puxa a água
De dentro, para fora

Me faz escorrer em gotas

Se me lambo
Digo, se lambo a água que escorre de mim
Sinto sal na boca

Lembro nessas horas...

A água de dentro é mar
E a lua remexe a maré
Subcutânea

O sol que digo tá longe
Mas me queima todo

Eu ando ardido de sol
Pele descamando
Em carne viva

Eu ando ardido

Vou sempre pela sombra
Me esgueirando por debaixo
Das copas das árvores

Em vão

O sol me encontra
E me sapeca
A mão na bunda

Ele, de longe, ri da minha cara
Eu não vejo
Não consigo
Mas eu percebo

Quando chega a noite
E os alvéolos oxigenam minha vergonha
Eu penso, inocente
Que a tranquilidade está aqui

(inspira, expira)

Vou fechando os olhos
Na montante
E na jusante
Da falsa calmaria

No outro dia, acordo molhado

Se pela manhã
O sol me come a pêlo
À noitinha
A lua me ilude com carinhos

Neste caso, não há o que fazer
Aguardo o outono.

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