Faltou
Faltou
Que delícia de ausência
Sente!
Olha, como descola
Enlouqueceu
Que bom.
Todos
Todos, repara
Mutilados a procura
Alma gemea não é,
Nããoo....
Não pode ser amor
Romântico,
É, sim, o não-amor
pós-
moderno.
Se é alma,
Não se sabe
Ao certo,
Mas é gêmeo
i d ê n t i c o
É torto amando torto
E caco amando
Corte.
Amar XXI
É amar ausente
Te amo,
Duvida?
terça-feira, 7 de março de 2017
domingo, 5 de março de 2017
Remédio
Contra ti não há
Não há
Não há melhor remédio
Que te ver passar
Te enxergo já de longe
Não posso evitar
É uma dor
Uma tristeza
Alívio que dá
O peito nem remexe
E a palma da mão, não
Não sua
Tá todo se engraçando
Com outro que não eu
Graças a Deus
Remédio contra ti
Eu não posso pagar
Então, chega mais perto
Esperto
Pra eu poder me curar
Você não tá entendendo
Deixe-me explicar
Eu não quero retorno
Quero é me livrar
Amor, aqui contigo
Eu só me machuquei
Enfim, vou-me embora
Mas saiba
Eu não te perdoei
sábado, 4 de março de 2017
Um fim nunca é um fim, mas sempre é.
Na vida não sou raiz, tampouco sou tronco. Na vida sou folha que despenca no outono ou flor que desabrocha na primavera. Voo fácil, com brisa leve. Às vezes seco, quase morro, sempre morro! Às vezes germino, semeio, às vezes pólen. Tem vento forte agora, me jogando pra longe. Vou-me pros lados de lá, renascer noutro lugar. Vou me entortar, mudar de cores. Foi bom enquanto estive. Brotei ouro, prata e zinco nesta terra de minério preto e de raízes raras. Vou, né?! Tem que ir! Mas jamais sairia à francesa, saio bem à brasileira, isso, sim! Sambando miúdo, fazendo estardalhaço e rindo de quem fica, mesmo que no fundo, queria eu também ficar um pouco mais. Não dou conta desse vale me cuspindo, então me tiro daqui nas próprias pernas. Cidade dengosa, vai me fazer saudade. Essa saudade que só quem fala “SAUDADE” pode sentir. Estou indo, mas as folhas que caíram, deixo pra adubar a tua pedra. As flores? Coloca as flores no cabelo, assim o que plantei aqui vai te deixar ainda mais bela!
quinta-feira, 2 de março de 2017
M O R R A, A M O R
Aqui, onde a gente tá, tudo o que é vivo
Morre
Sob essas duas condições,
Estar aqui
E estar vivo,
É inevitável:
MORRE-SE.
O sangue, se a coisa tiver sangue,
Decanta
A carne,
Apodrece
A folha,
D e s p e n c
a
Deste lado de cá o fim é certo.
O cão que te ameaça na rua,
Um dia bate as botas
O homem que te ameaça na rua, também
Amém
A professora que não te deixa ir ao banheiro,
Coitada, tem seu fim
A mãe que te nina,
...
sinto informar
...
Mas tem coisa
(E isso é que é o importante do poeminha)
Que não morre nem a golpes de porrete
Amor, te digo, ouça!
Amor!
Amor não morre
Sim, também eu, que fazer?
Também o poeta sujo e maltrapilho
Perdido nesta contemporânea Brasileia
Escreve de amor
Porque sente, oras!
Porque sinto.
Amor
Difícil dizer
Entender
Explicar
Amor n ã o morre
Porque que vive
Num aqui que não é esse em que a gente tá
Ele tá aqui
Quer dizer, ele chove aqui
Mas ele brota e anuvia o céu do lado de lá
Um lá que é quase aqui,
que chega a encostar
Faz um arrepio gostoso na malha fina que
S E P A R A
Um lado do outro
No fim é simples
Amor não morre, porque mesmo VIVO,
Do jeito que é
Ele não tá nesse aqui
Que você conhece
Ou eu
Ele, ela
O amor
Ê, amor!
O amor quando nasce
Foge do aqui e
Já nasce no
S E M P R E
Maldito seja!
Morre tudo
E ele continua
Os carinhos, beijos,
Já tá tudo empacotado
Comendo capim pela raiz,
Mas o amor
.
.
.
O que esfola
É isso
A morte não seria tão morrida
Tão mortífera
Tão mortal
Se tudo que há do lado de cá morresse
E esse tal amor, bandido,
Morresse junto.
Amor
Vem pra cá
Morra, amor!
quarta-feira, 1 de março de 2017
Sobre aquilo que chamo LAR
Ei, chega mais perto. Vou te contar a história da minha casa. É, meu cantinho telhado de tijolo e areia. Sabe, a casa é o contrário da rua. A casa é o calor em dias frios... e o frescor dos dias quentes, porque tem sombra, né? Daqui de dentro quase ninguém me vê: o que é ótimo. O problema é que eu também acabo não enxergando muito. Não fosse por uma janela ou outra, que abro de vez em nunca, não sentiria nem o cheiro de terra quando a chuva cai e molha tudo.
Quem passa
aqui em frente, só vê o jardim. Bem cuidado, viu! Um jardinzão! Verde que até
dói o olho. O bom daqui é que não tem muro alto, portão eletrônico, é tudo
simples, então, se alguém quiser, mesmo, entrar, vai ter que batalhar um pouco,
quebrar um vidro ou dois, mas acaba conseguindo. Agora, olhar de fora e
bisbilhotar, não dá. Coloquei cortina grossa nas janelas. Sabe, a casa é o
contrário da rua. Na rua tudo é medo. É gente correndo com medo de chegar
atrasado para vida, é gente olhando para o outro, porque não tem espelho, fazer
o quê? Tem gente até que anda com cara de apavorado por aí. Vai dizer que gente
com medo não te dá medo?! Gente com medo é aterrorizante! Isso é tática, faz
cara de assustado e espera, ninguém chega perto e, quando chega, vem todo
macio, pisando em ovos para não despertar mais o medo do amedrontado.
Aqui dentro
estou protegido do alvoroço da rua. Aqui me escondo do sol que ofusca e da
noite que esconde. Minha casa me abraça, mãe que embala o recém-nascido, saído
do conforto do útero para o desalinho do oxigênio que entra pelo nariz puxado
pelo pulmão.
![]() |
| VAN GOGH, V. Quarto em Arles, 1888. |
Se você ainda não percebeu, isso aqui é tudo metáfora. Palavra bonita escrita para significar outra coisa que se entende sem deixar entender. Gosto de escrever assim porque me sinto poeta, e faço das palavras buscadas, bem buscadas, rebuscadas, meu lar. Mas não se avexe, no fim das contas sou é literal. Gosto de deixar as coisas bem claras porque o dito pelo não dito é um enrosco que só. Teve vezes, na vida, que tentei morar na verdade, não deu. Sou doce demais, preocupado demais para isso. Já tentei também fazer da mentira a minha casa. Pior ainda! Enfiei os pés pelas mãos e acabei mandando as visitas embora a gritos e pontapés. Atualmente, estou por aí, perdido nesse mercadão imobiliário. Procurei vaga no bom humor, no humor ácido, na piada atravessada e entendi que sou sem graça, só vou aceitar meus chistes depois dos cinquenta. Procurei lar na paz de espírito, na consciência elevada, fui iogue, tântrico, vegetariano, vegano, Vegeta, Goku... só não fui mesmo Dalai, porque lama sobrou na bagunça meu terreno. Procurei casa aqui, ali, nos outros, os outros já estavam cheios de si. A gente é muita coisa.
Daí, fui meio
que procurando casa na medida. Aquele que fecha mas abre. Estou nessa ainda de
procurar a casa ideal e acho que daqui uns anos eu encontro uma que deve me
servir por um tempo, até eu virar outro. Enquanto isso, aqui na rua, vou
fazendo amizade com a vizinhança. Sorrio para alguns, rio de algumas gracinhas,
que são boas, inclusive, não rio à toa, não. Quer dizer, às vezes rio à toa,
mar não. Mar só para quem merece. Tem gente aqui de perto que deixo entrar no
meu puxadinho. Menina, que medo que dá, né?! Colocar gente para dentro, mas tem
gente que conquista espaço, vem sentando na sala de visitas com a perninha
fechada e de repente já pode até se esparramar na cama. Tem gente que invade,
mas não sei... não por mal. Não para incomodar, mas porque esse terreno da
metáfora não é bem limitado, as casas se cruzam, chega uma hora que a gente não
sabe na casa de quem está entrando. Tem hora que a gente não sabe qual casa é a
nossa.
Para
finalizar isso de metáfora, que já deve estar chato, pensei nos Três
Porquinhos. Acredita? T-r-ê-s - P-o-r-q-u-i-n-h-o-s. Sim! Já parou para pensar
na metáfora sobre o medo que não é essa história? Sobre como o medo protege e
priva. Os dois que não tinham medo, ou que não se preocupam com ele, viviam
mais felizes, mas uma vez diante do pânico, viram suas frágeis casas
desmoronarem. O outro, viveu mais sisudo, austero, firme o bastante para não
deixar sua casa se abalar nem sob a mais intensa investida do mau, do lobo, o
mau. Eles contavam isso para gente quando a gente era pequeno, esse povo doido!
Com vestes de moralidade, de trabalho que foi recompensado. Mas, no fundo, isso
é aviso: criança, tenha medo. Eu tive. Eu tenho. E é por isso que, como vocês,
mantenho minhas portas trancadas, porque nunca se sabe quem é o lobo.
Sabe, a casa
é o contrário da rua. Mas uma não existe sem a outra.
Assinar:
Comentários (Atom)

