sábado, 4 de março de 2017

Um fim nunca é um fim, mas sempre é.



Na vida não sou raiz, tampouco sou tronco. Na vida sou folha que despenca no outono ou flor que desabrocha na primavera. Voo fácil, com brisa leve. Às vezes seco, quase morro, sempre morro! Às vezes germino, semeio, às vezes pólen. Tem vento forte agora, me jogando pra longe. Vou-me pros lados de lá, renascer noutro lugar. Vou me entortar, mudar de cores. Foi bom enquanto estive. Brotei ouro, prata e zinco nesta terra de minério preto e de raízes raras. Vou, né?! Tem que ir! Mas jamais sairia à francesa, saio bem à brasileira, isso, sim! Sambando miúdo, fazendo estardalhaço e rindo de quem fica, mesmo que no fundo, queria eu também ficar um pouco mais. Não dou conta desse vale me cuspindo, então me tiro daqui nas próprias pernas. Cidade dengosa, vai me fazer saudade. Essa saudade que só quem fala “SAUDADE” pode sentir. Estou indo, mas as folhas que caíram, deixo pra adubar a tua pedra. As flores? Coloca as flores no cabelo, assim o que plantei aqui vai te deixar ainda mais bela!

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