Aqui, onde a gente tá, tudo o que é vivo
Morre
Sob essas duas condições,
Estar aqui
E estar vivo,
É inevitável:
MORRE-SE.
O sangue, se a coisa tiver sangue,
Decanta
A carne,
Apodrece
A folha,
D e s p e n c
a
Deste lado de cá o fim é certo.
O cão que te ameaça na rua,
Um dia bate as botas
O homem que te ameaça na rua, também
Amém
A professora que não te deixa ir ao banheiro,
Coitada, tem seu fim
A mãe que te nina,
...
sinto informar
...
Mas tem coisa
(E isso é que é o importante do poeminha)
Que não morre nem a golpes de porrete
Amor, te digo, ouça!
Amor!
Amor não morre
Sim, também eu, que fazer?
Também o poeta sujo e maltrapilho
Perdido nesta contemporânea Brasileia
Escreve de amor
Porque sente, oras!
Porque sinto.
Amor
Difícil dizer
Entender
Explicar
Amor n ã o morre
Porque que vive
Num aqui que não é esse em que a gente tá
Ele tá aqui
Quer dizer, ele chove aqui
Mas ele brota e anuvia o céu do lado de lá
Um lá que é quase aqui,
que chega a encostar
Faz um arrepio gostoso na malha fina que
S E P A R A
Um lado do outro
No fim é simples
Amor não morre, porque mesmo VIVO,
Do jeito que é
Ele não tá nesse aqui
Que você conhece
Ou eu
Ele, ela
O amor
Ê, amor!
O amor quando nasce
Foge do aqui e
Já nasce no
S E M P R E
Maldito seja!
Morre tudo
E ele continua
Os carinhos, beijos,
Já tá tudo empacotado
Comendo capim pela raiz,
Mas o amor
.
.
.
O que esfola
É isso
A morte não seria tão morrida
Tão mortífera
Tão mortal
Se tudo que há do lado de cá morresse
E esse tal amor, bandido,
Morresse junto.
Amor
Vem pra cá
Morra, amor!
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