quinta-feira, 2 de março de 2017

M O R R A, A M O R

Aqui, onde a gente tá, tudo o que é vivo
Morre
Sob essas duas condições,
Estar aqui
E estar vivo,
É inevitável:
                MORRE-SE.
O sangue, se a coisa tiver sangue,
Decanta
A carne,
Apodrece
A folha,
D e s p e n c
                     a

Deste lado de cá o fim é certo.

O cão que te ameaça na rua,
Um dia bate as botas
O homem que te ameaça na rua, também
Amém
A professora que não te deixa ir ao banheiro,
Coitada, tem seu fim
A mãe que te nina,
...
sinto informar
...

Mas tem coisa
(E isso é que é o importante do poeminha)
Que não morre nem a golpes de porrete
Amor, te digo, ouça!
Amor!
Amor não morre

Sim, também eu, que fazer?
Também o poeta sujo e maltrapilho
Perdido nesta contemporânea Brasileia
Escreve de amor
Porque sente, oras!
Porque sinto.

Amor
Difícil dizer
Entender
Explicar

Amor  n ã o  morre
Porque que        vive
Num aqui que não é esse em que a gente tá

Ele tá aqui
Quer dizer, ele chove aqui
Mas ele brota e anuvia o céu do lado de lá

Um lá que é  quase aqui, que chega a encostar
Faz um arrepio gostoso na malha fina que
S E P A R A
Um lado do outro

No fim é simples
Amor não morre, porque mesmo VIVO,
Do jeito que é
Ele não tá nesse aqui
Que você conhece
Ou eu
Ele, ela

O amor
Ê, amor!
O amor quando nasce
Foge do aqui e
Já nasce no
S E M P R E

Maldito seja!
Morre tudo
E ele continua

Os carinhos, beijos,
Já tá tudo empacotado
Comendo capim pela raiz,
Mas o amor
.
.
.

O que esfola
É isso
A morte não seria tão morrida
Tão mortífera
Tão mortal
Se tudo que há do lado de cá morresse
E esse tal amor, bandido,
Morresse junto.

Amor
Vem pra cá

Morra, amor!

Nenhum comentário:

Postar um comentário